Casa da Mulher Brasileira e a rede de apoio à mulher
O que é a Casa da Mulher Brasileira, quais serviços ela reúne no mesmo lugar e quais são os outros pontos da rede de apoio à mulher em situação de violência.


Resposta direta
A Casa da Mulher Brasileira reúne no mesmo prédio delegacia especializada, juizado, Ministério Público, Defensoria Pública, apoio psicossocial, alojamento de passagem e brinquedoteca, para que a mulher em situação de violência não precise repetir a história em vários lugares. Onde não houver uma, a rede é formada por DEAM, delegacia comum, CRAS e CREAS, Defensoria, o Ligue 180 e a Patrulha Maria da Penha.
Quem já buscou ajuda sabe qual é um dos maiores obstáculos: repetir a história. Contar na delegacia, contar de novo no fórum, de novo na assistência social, de novo para o psicólogo. Cada repetição custa, e muita mulher desiste no meio.
A Casa da Mulher Brasileira existe para resolver exatamente isso.
O que ela reúne
Em um único prédio, funcionam:
- Delegacia especializada, para registro e investigação
- Juizado de violência doméstica e familiar, que decide medida protetiva
- Ministério Público
- Defensoria Pública, assistência jurídica gratuita
- Equipe psicossocial, atendimento psicológico e social
- Promoção de autonomia econômica, qualificação e encaminhamento a trabalho e renda
- Alojamento de passagem, para permanência de curta duração em risco
- Brinquedoteca, para que a mulher seja atendida com os filhos acolhidos
- Central de transporte, que leva a mulher de casa até o serviço e de volta
O ganho é concreto: um atendimento, um relato, todos os órgãos acionados.
Onde existem
As unidades estão em capitais e algumas cidades de grande porte, e a lista muda conforme novas são inauguradas. O 180 informa se há uma na sua região e qual o endereço.
Não ter uma na sua cidade não significa ficar sem atendimento. A rede existe de outras formas.
A rede quando não há Casa da Mulher Brasileira
DEAM, a Delegacia da Mulher. Registra, encaminha pedido de medida protetiva e investiga. Veja como funciona.
Qualquer delegacia comum. Onde não existe DEAM, a delegacia comum é obrigada a atender e a encaminhar o pedido de medida protetiva. Recusa é ilegal.
Ligue 180. Central de Atendimento à Mulher. Funciona 24 horas, é gratuito, atende de qualquer telefone, aceita denúncia anônima, orienta sobre direitos e informa o serviço mais próximo. É o melhor primeiro passo quando você não sabe por onde começar.
CRAS e CREAS. Os centros de assistência social do município. O CREAS atende especificamente situações de violação de direitos e faz acompanhamento continuado.
Defensoria Pública. Assistência jurídica gratuita para quem não pode pagar advogado, incluindo ações de divórcio, guarda e alimentos, que costumam vir junto.
Unidades de saúde. UBS, UPA e hospitais também são porta de entrada. Profissionais de saúde podem acionar a rede ao identificar sinais.
Patrulha Maria da Penha. Presente em muitos municípios, faz visitas periódicas a mulheres com medida protetiva deferida, para monitorar cumprimento e reforçar proteção.
CVV 188. Apoio emocional, 24 horas, gratuito.
Por qual porta entrar
Não existe ordem obrigatória, e essa é a informação que mais destrava. Qualquer ponto da rede encaminha para os demais.
Na prática:
- Risco agora: 190.
- Não sei o que fazer: 180.
- Quero registrar e pedir medida protetiva: delegacia, de preferência DEAM.
- Preciso de advogado e não posso pagar: Defensoria.
- Preciso de apoio psicológico ou social: CRAS, CREAS ou UBS.
- Preciso sair de casa hoje: 180 e delegacia, que acionam abrigamento.
O que levar, se der
Documento com foto, comprovante de residência, provas que tiver e contato de testemunhas. Mas não deixe de ir por não ter nada disso. A palavra da vítima tem peso reconhecido em violência doméstica.
Se tiver como organizar antes, veja como preservar provas digitais e como fazer boletim de ocorrência online.
Direitos que muita gente não sabe que tem
- Atendimento por equipe preferencialmente feminina, quando disponível.
- Não ser obrigada a encontrar o agressor no atendimento.
- Pedido de medida protetiva sem advogado.
- Prazo de 48 horas para o juízo decidir sobre a medida.
- Manutenção do vínculo de trabalho por até seis meses, quando necessário afastamento por determinação judicial.
- Prioridade de matrícula dos filhos em escola próxima, em caso de mudança por necessidade de proteção.
- Acesso a programas de moradia e assistência, conforme o município.
Se você quer ajudar alguém
Você pode ligar para o 180 por outra pessoa, inclusive anonimamente. Pode acompanhá-la à delegacia. Pode guardar documentos e cópias. E pode ligar 190 se presenciar agressão, sem precisar de autorização dela.
Vizinhança silenciosa é com o que o agressor conta.
O que acontece se você chegar sem nada preparado
Nada impede o atendimento. A rede foi desenhada para receber quem chega no pior dia, sem documento, sem prova, às vezes sem sapato. É comum e está previsto.
O que a equipe faz nesse caso é registrar o relato, providenciar exame quando há lesão, acionar abrigamento se houver risco de retorno para casa, e encaminhar para a assistência social resolver documentação e benefício.
Ou seja: chegar despreparada não é motivo para adiar. Adiar é o que costuma custar caro.
Sobre levar os filhos
Muita mulher deixa de ir por não ter com quem deixar as crianças. A Casa da Mulher Brasileira tem brinquedoteca justamente por isso, e delegacias e CREAS estão orientados a receber a mulher acompanhada dos filhos.
Crianças não podem ser motivo para você não buscar proteção. Elas também estão expostas: presenciar violência doméstica é reconhecido como forma de violência contra a criança, e a rede de proteção infantil pode ser acionada junto.
A rede também cuida de quem cuida
Um ponto pouco falado: profissionais e familiares que acompanham casos de violência também adoecem. Se você é a pessoa que sustenta uma amiga ou parente nesse processo, buscar apoio para si não é egoísmo, é o que permite continuar por perto.
O CVV atende no 188, 24 horas, gratuitamente, e o CAPS do seu município recebe demanda espontânea.
Fontes e referências
Perguntas Frequentes
É um equipamento público que reúne no mesmo prédio delegacia especializada, juizado, Ministério Público, Defensoria, apoio psicossocial, alojamento de passagem e brinquedoteca, para que a mulher não precise repetir a história em vários lugares.
A rede existe de outras formas: DEAM ou delegacia comum, que é obrigada a atender, CRAS e CREAS, Defensoria Pública, unidades de saúde e o Ligue 180, que orienta e encaminha.
24 horas, todos os dias, de qualquer telefone, gratuitamente. Aceita denúncia anônima e também ligações de terceiros que queiram denunciar ou pedir orientação.
Pelo 180. Ele orienta sobre direitos, informa o serviço mais próximo e encaminha. Se houver risco imediato, o caminho é o 190.
É um serviço presente em muitos municípios que faz visitas periódicas a mulheres com medida protetiva deferida, para monitorar o cumprimento da medida e reforçar a proteção.
Não. O pedido é feito na delegacia, sem advogado, e o juízo deve decidir em regra em até 48 horas. A Defensoria Pública acompanha as etapas seguintes gratuitamente.
Pode, inclusive anonimamente. Terceiros podem denunciar e pedir orientação. Se você presenciar agressão em curso, ligue 190 sem esperar autorização da vítima.
Verifique com discrição, quando você precisar
A consulta é totalmente sigilosa: a pessoa consultada nunca é avisada. Você vê antecedentes criminais e processos a partir do nome completo.
R$ 19,90 por consulta · 100% sigiloso · Sem mensalidade
Leia também

Assédio moral no trabalho: o que é e como provar
O que caracteriza assédio moral no trabalho, a diferença para cobrança legítima, como reunir provas e quais são os caminhos para denunciar e buscar reparação.

Dá para descobrir o CPF de alguém pelo nome?
A resposta direta é não, e há um motivo legal. Entenda por que o CPF não é dado público, o risco dos sites que prometem isso e o que dá para consultar.