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    Segurança Digital05 de março de 2026Atualizado em 30/07/202610 min

    Golpe do Pix: o que fazer e como acionar o MED

    Caiu no golpe do Pix? Veja como contestar no app do banco, acionar o MED, os prazos do Banco Central e o que fazer se a devolução for negada.

    PorGianluca FerroAutor no Puft.ai
    Mão interrompe uma transferência suspeita antes de confirmar o pagamento

    Resposta direta

    Se você fez um Pix em um golpe, conteste a transação no aplicativo do seu banco imediatamente para abrir o Mecanismo Especial de Devolução (MED). O Banco Central prevê pedido em até 80 dias, análise das instituições em até 7 dias e devolução em até 96 horas quando a fraude é confirmada. Registre boletim de ocorrência e guarde provas. O MED não garante reembolso, porque depende de saldo na conta de quem recebeu.

    Caí em um golpe do Pix: o que fazer agora

    Os primeiros minutos decidem quase tudo, porque o dinheiro pode ser repassado para outras contas em seguida. Siga esta ordem:

    1. abra o aplicativo oficial do seu banco;
    2. localize a transação no extrato Pix;
    3. use a opção de contestar, relatar problema ou solicitar devolução;
    4. marque fraude, golpe ou crime e descreva o ocorrido;
    5. fale com o atendimento oficial e anote o protocolo;
    6. registre boletim de ocorrência;
    7. preserve conversas, anúncios, números e comprovantes;
    8. troque senhas e revise os dispositivos conectados à conta.

    Não pague nenhuma taxa de recuperação. Golpistas voltam fingindo ser banco, advogado ou autoridade, usando os dados da primeira fraude para aplicar a segunda.

    Como acionar o MED e recuperar o dinheiro

    O que é o Mecanismo Especial de Devolução

    O MED é o procedimento exclusivo do Pix para casos de fraude, golpe, crime e falha operacional. Ele não é igual ao chargeback do cartão de crédito e não resolve qualquer disputa de compra.

    Segundo o Banco Central, todas as instituições participantes do Pix devem oferecer acesso ao MED pelo próprio aplicativo. A contestação começa na instituição onde você mantém a conta, não no banco de quem recebeu.

    Passo a passo no aplicativo do banco

    O nome da função muda entre bancos, mas o caminho quase sempre fica no detalhe da transação:

    1. abra o extrato Pix;
    2. selecione a transferência contestada;
    3. procure contestar, relatar problema ou solicitar devolução;
    4. marque a opção de fraude ou golpe;
    5. descreva o caso sem omitir que você autorizou a transferência sob engano;
    6. anexe os registros pedidos;
    7. salve o número de protocolo.

    Não aceite orientação de desconhecido para instalar aplicativo, compartilhar tela ou fazer um segundo Pix de teste. Esse é o roteiro do golpe seguinte.

    O que acontece depois que você contesta

    Com base no seu relato, o banco onde você tem conta registra a notificação de infração e instaura o MED. O banco de quem recebeu bloqueia os valores disponíveis naquela conta. As duas instituições analisam se há indícios de fraude e, confirmada a suspeita, o dinheiro volta para você.

    Existe ainda uma trava anterior ao MED. O bloqueio cautelar permite que a instituição de quem recebe segure os recursos assim que eles caem na conta, por até 72 horas, quando há suspeita de fraude. Por isso a contestação feita na primeira hora vale muito mais do que a feita no terceiro dia.

    Prazos do MED segundo o Banco Central

    • pedido de devolução: até 80 dias contados da data do Pix;
    • análise pelas duas instituições envolvidas: até 7 dias corridos;
    • devolução, quando a fraude é confirmada: até 96 horas após o fim da avaliação;
    • devolução parcial: o banco do recebedor deve repetir bloqueios ou devoluções sempre que entrar dinheiro naquela conta, até completar o valor ou até 90 dias contados da transação original;
    • falha operacional da sua própria instituição, como uma transação em duplicidade: devolução em até 24 horas.

    Esperar não é neutro. Os 80 dias são o limite formal do pedido, e a chance real de bloqueio cai a cada hora, porque o valor tende a sair rápido da conta que recebeu.

    O limite do mecanismo

    O MED não garante devolução. O Banco Central é explícito: a recuperação depende da análise do caso e da existência de saldo na conta do recebedor ou dos demais envolvidos na fraude. Se a conta estiver vazia quando o bloqueio chegar, não há o que devolver naquele momento.

    Quando o MED é aberto, sua instituição registra uma notificação de infração no sistema do Banco Central. Se as duas instituições concluírem que houve fundada suspeita de fraude, o CPF ou CNPJ e a chave Pix de quem recebeu ganham uma marcação de fraude, compartilhada com os demais participantes do Pix. Isso não devolve seu dinheiro, mas dificulta o próximo golpe aplicado pela mesma conta.

    Quando o MED não se aplica

    O Banco Central lista as situações que ficam fora do mecanismo:

    • desacordo comercial, como produto errado enviado por vendedor de boa-fé;
    • transferência para conta de terceiro de boa-fé, que não participou do golpe;
    • Pix errado, quando você não conferiu o nome e enviou para outra pessoa;
    • arrependimento depois de uma compra legítima.

    A fronteira está na fraude. Loja que nunca existiu, anúncio criado só para receber e sumir, produto que sequer é enviado: esses casos são analisados como golpe. Vendedor real discutindo prazo ou qualidade segue por Procon, Judiciário ou pelos canais do marketplace.

    Descreva os fatos como aconteceram. Informar fraude quando houve apenas erro de digitação atrapalha a análise e derruba o pedido.

    Registre o boletim e preserve provas

    O Ministério da Justiça orienta avisar as instituições financeiras pelos canais oficiais e registrar boletim de ocorrência, pela delegacia virtual do seu estado ou presencialmente. O Banco Central recomenda esse registro em paralelo à contestação. O boletim documenta seu relato, mas não substitui o pedido feito no aplicativo.

    Guarde:

    • comprovante do Pix e identificador da transação;
    • chave e dados de quem recebeu;
    • conversa completa, sem recortes;
    • link do anúncio ou do perfil;
    • número de telefone e e-mail usados;
    • protocolo do banco e tela da contestação;
    • boletim de ocorrência;
    • áudios e documentos enviados pelo golpista.

    Não edite os arquivos originais. Faça cópias e mantenha as datas. O guia sobre preservar provas digitais mostra como organizar esse material sem depender de prints soltos.

    Golpes do Pix mais comuns

    Falso familiar no WhatsApp

    Alguém usa uma foto conhecida e diz que trocou de número. Antes de transferir, ligue para o contato antigo. Nosso guia sobre golpe no WhatsApp mostra como recuperar a conta e denunciar um perfil falso.

    Falsa central de atendimento

    O criminoso liga com dados pessoais corretos, cria medo sobre uma compra ou invasão e orienta um Pix para conta segura. Banco nenhum pede transferência para proteger saldo. Os detalhes estão no artigo sobre golpe da falsa central bancária.

    Comprovante falso

    O golpista envia a imagem de um pagamento que não foi concluído. Confirme a entrada no extrato, nunca apenas no comprovante recebido.

    Boleto e QR Code adulterados

    Confira nome, CPF ou CNPJ exibidos antes de confirmar. Se o recebedor não corresponde à empresa esperada, pare. O texto sobre boleto falso explica o que checar antes de pagar.

    Aluguel e vendas que não existem

    Anúncio abaixo do preço, urgência para reservar e cobrança de sinal por Pix formam o padrão. Veja como conferir um imóvel no guia sobre golpe do aluguel.

    Proteja suas contas depois do golpe

    Quem cai em um golpe do Pix costuma ter entregue mais do que uma transferência: senha, código, acesso remoto ou uma foto de documento. Depois de contestar, feche essas portas.

    No Registrato, serviço gratuito do Banco Central, peça o Relatório de Contas e Relacionamentos para ver em quais instituições existe conta no seu CPF, e o Relatório de Chaves Pix para conferir se alguma chave foi cadastrada sem você saber. Chave ou conta desconhecida vira contato imediato com a instituição responsável.

    Vale também ativar o BC Protege+, que bloqueia a abertura de novas contas em seu nome, revogar dispositivos autorizados no aplicativo do banco e trocar a senha do e-mail vinculado, que costuma ser a porta de entrada para o resto.

    Como se proteger antes de confirmar

    • reduza os limites do Pix para valores compatíveis com sua rotina;
    • ative alertas e notificações de transação;
    • mantenha aplicativo e sistema atualizados;
    • não instale aplicativo por orientação recebida em ligação;
    • nunca compartilhe senha, token ou código por mensagem;
    • confirme qualquer pedido urgente em outro canal;
    • leia o nome e a instituição do destinatário antes de concluir;
    • desconfie de pressão para agir sem consultar ninguém.

    Se o pedido vier de um relacionamento online, consulte os sinais de estelionato sentimental antes de enviar qualquer valor.

    Recebi um Pix de desconhecido pedindo devolução

    Confirme a entrada no extrato. Havendo o depósito, use a função de devolução dentro da própria transação, que devolve o valor à mesma conta de origem. Não envie um Pix novo para uma chave indicada por mensagem.

    O alerta é do próprio Banco Central: quem pede devolução em conta diferente pode acionar o MED depois e receber duas vezes, o seu dinheiro e o que o banco devolver.

    E se o banco negar a contestação?

    Peça a resposta e o protocolo por escrito e confira se o caso foi registrado como fraude. Reúna a linha do tempo completa antes de recorrer.

    Se não resolver, os caminhos são o SAC e a ouvidoria da instituição, o Procon do seu estado, a reclamação registrada no Banco Central e, conforme o valor e as circunstâncias, o Poder Judiciário. Na reclamação ao Banco Central, o banco que recebeu os recursos é notificado e passa a monitorar a conta em busca de transações suspeitas.

    Agir rápido não garante devolução, mas melhora as condições para bloquear valores, preservar provas e impedir novos acessos à sua conta.

    Fontes e referências

    Perguntas Frequentes

    É possível pedir a contestação e acionar o MED, mas não há garantia. A devolução depende da análise de fraude pelas instituições e da existência de saldo na conta de quem recebeu. Avise o banco imediatamente.

    Abra a transação no extrato Pix do aplicativo do seu banco e use a opção de contestação por fraude ou golpe. Descreva o caso, anexe os registros pedidos e guarde o protocolo. Todas as instituições participantes do Pix devem oferecer o MED pelo aplicativo.

    O Banco Central informa prazo de até 80 dias, contados da data do Pix, para registrar o pedido de devolução na sua instituição. Agir nas primeiras horas aumenta a chance de localizar e bloquear os recursos.

    Segundo o Banco Central, as instituições envolvidas analisam o caso em até 7 dias corridos. Confirmada a fraude, a devolução ocorre em até 96 horas após o fim da avaliação, de forma integral ou parcial.

    Não. O próprio Banco Central afirma que o MED não garante a devolução, porque ela depende da análise do caso e da existência de saldo na conta do recebedor ou dos demais envolvidos na fraude.

    Não automaticamente. O caso é analisado pelas duas instituições e a devolução pode ser parcial. A responsabilidade do banco não é automática e depende das circunstâncias, como falha no próprio sistema da instituição.

    Não. O MED não se aplica a Pix errado nem a desacordo comercial com vendedor de boa-fé. Para devolver um valor recebido por engano, use a função de devolução vinculada à transação original.

    Não como regra. Desacordo comercial de boa-fé, como atraso ou produto diferente, fica fora do mecanismo. Loja inexistente criada apenas para receber e sumir é analisada como fraude.

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